Tem uma cena clássica em O Poderoso Chefão onde Michael Corleone diz: "É apenas negócios, não é pessoal."
Porra, é sempre pessoal.
A OpenAI acabou de fechar um acordo com o Pentágono. Horas — horas — depois da Anthropic, sua principal rival na corrida da inteligência artificial, ser efetivamente colocada na lista negra pelo governo Trump.
Se você acha que isso é coincidência, eu tenho um terreno na Lua pra te vender.
O Jogo de Tronos da IA
Vamos destrinchar o que aconteceu aqui, porque a manchete sozinha já conta metade da história, mas a outra metade é onde mora o diabo.
A Anthropic, criada por ex-funcionários da própria OpenAI que saíram de lá alegando "preocupações com segurança", vinha se posicionando como a alternativa "responsável" no mercado de IA. A empresa bonzinha. A que se preocupa com a humanidade. A que faz tudo certinho.
E aí veio a paulada.
O governo Trump decidiu cortar relações com a Anthropic, colocando a empresa numa espécie de purgatório federal. Motivos oficiais? Ainda estão sendo digeridos. Mas no submundo de Washington, onde os contratos de defesa valem bilhões e as relações de poder definem quem come e quem passa fome, o recado foi claro como água: você está fora do jogo.
E quem entrou? A OpenAI de Sam Altman, é claro.
Skin in the Game — ou Lobby in the Game?
Olha, eu sou o último cara a defender teoria da conspiração barata. Mas Nassim Taleb nos ensinou que precisamos olhar para os incentivos, não para os discursos.
Sam Altman não é burro. O cara vem construindo pontes com Washington há meses. Participou de jantares, fez as visitas certas, disse as coisas certas nas audiências do Congresso. Enquanto a Anthropic ficava no seu canto fazendo pose de "somos os adultos responsáveis da sala", Altman estava jogando o jogo como ele realmente é jogado.
Contratos com o Pentágono não são sobre quem tem a melhor tecnologia. São sobre quem tem o melhor relacionamento. Sempre foram. Desde a Lockheed Martin até a Palantir de Peter Thiel.
A OpenAI entendeu isso. A Anthropic, aparentemente, não.
O Que Isso Significa Pro Mercado
Vamos ao que interessa — porque no final do dia, a gente está aqui pra entender onde está o dinheiro.
Primeiro: contratos militares são o Santo Graal do fluxo de caixa previsível. Governo americano paga. Paga caro. E paga de novo. A OpenAI acaba de garantir uma linha de receita que pode ser transformacional para sua transição de organização "sem fins lucrativos" (a piada do século) para a máquina de fazer dinheiro que ela claramente quer ser.
Segundo: a Anthropic está em apuros. Quando você é blacklisted pelo governo federal americano, o efeito cascata é brutal. Outros contratos governamentais secam. Parceiros corporativos ficam nervosos. Investidores começam a fazer perguntas incômodas. A Amazon, que despejou bilhões na Anthropic, deve estar tendo uma conversa muito desconfortável neste momento.
Terceiro: isso consolida a OpenAI como a empresa de IA "oficialmente aprovada" pelo establishment americano. E no capitalismo de Estado que vivemos — porque é isso que é, independente do rótulo que queiram colocar — estar do lado certo do governo é tão importante quanto ter o melhor produto.
A Lição Que Ninguém Quer Ouvir
O mercado de tecnologia adora se vender como meritocracia pura. "Vence o melhor código, a melhor arquitetura, o melhor modelo."
Merda nenhuma.
Vence quem joga o jogo completo. Tecnologia, política, relacionamentos, timing. Warren Buffett sempre disse que investir é simples, mas não é fácil. A mesma coisa vale para construir empresas bilionárias: a tecnologia é o simples. O jogo político é o difícil.
Sam Altman, com todos os seus defeitos — e são muitos — entendeu isso antes dos outros. Enquanto os fundadores da Anthropic estavam ocupados sendo os "bonzinhos da sala", Altman estava fazendo o que todo empresário sério faz: garantindo que quando a música parasse, ele teria uma cadeira.
Agora me diz: você ainda acha que no mundo dos grandes negócios, o melhor produto sempre vence? Ou será que está na hora de tirar os óculos cor-de-rosa e encarar como o jogo realmente funciona?