Tem uma cena clássica no filme Rounders em que o personagem do Matt Damon diz: "Se você não consegue identificar o otário na mesa de pôquer nos primeiros 30 minutos, o otário é você."

Pois bem. A cada trimestre, quando os formulários 13F caem no colo da SEC, a gente consegue espiar — com atraso, claro — onde os tubarões de verdade colocaram a grana. Não os influencers de Instagram com curso de R$ 997. Não os "analistas" que nunca compraram uma ação com dinheiro próprio. Estou falando dos caras que têm skin in the game de verdade. Bilionários. Family offices. Gente que erra e perde centenas de milhões — da própria conta.

E o que os registros do quarto trimestre de 2025 mostram é um banquete de apostas ousadas, divergentes e, em alguns casos, lindamente contraditórias.

Cooperman comprou futebol inglês (e hipotecas)

Leon Cooperman, o velho lobo de Wall Street que comanda a Omega Advisors, virou manchete por aumentar sua posição no Manchester United. Sim, o clube de futebol. A participação dele agora vale US$ 46,5 milhões. Antes que algum torcedor entre em pânico achando que o cara vai transformar Old Trafford num hedge fund glorificado — calma. Ele mesmo declarou que é investimento passivo.

Mas o movimento mais pesado de Cooperman foi outro: mais de US$ 375 milhões em ações da Rocket Companies, a empresa de crédito imobiliário. Virou a maior posição da firma, valendo quase US$ 407 milhões. O cara está apostando pesado no mercado de hipotecas americano. Aposta ousada num ambiente de juros ainda salgados? Ou ele sabe de algo que o mercado ainda não precificou? Fica a pergunta.

Tepper e Druckenmiller: chips e energia — o dinheiro inteligente acertou

David Tepper, da Appaloosa, triplicou a posição em Micron — a fabricante de chips de memória que alimenta os data centers de inteligência artificial. A posição bateu US$ 428 milhões e virou a maior da carteira. E adivinhe: desde o início de 2026, a Micron já subiu cerca de 50%. O cara literalmente imprimiu dinheiro.

Stanley Druckenmiller, lenda viva do mercado e ex-braço direito de Soros, abriu posição nova na Bloom Energy, empresa de células de combustível. O papel já subiu mais de 100% no ano. Cem porcento, porra. Enquanto o varejo estava discutindo meme stock no Reddit, Druckenmiller estava montando posição no futuro energético.

Bitcoin e cripto: nem todo bilionário é infalível

Agora, nem tudo são flores.

A WIT LLC, veículo de investimentos da família Walton (sim, os donos do Walmart), alocou US$ 4 milhões no iShares Bitcoin Trust ETF. Parece corajoso, né? Pois o ETF afundou 21% no ano. Tudo bem que US$ 4 milhões é menos de 1% do portfólio — é dinheiro de cafezinho pra essa turma. Mas ainda assim: vermelho é vermelho.

Alan Parker, o magnata do duty-free, aumentou em 44% sua posição na Coinbase. Resultado? Queda de 18% desde janeiro. Cripto continua sendo aquela montanha-russa que não avisa quando vai descer.

A guerra das Mag 7: cada um pro seu lado

Aqui a coisa fica interessante. Druckenmiller aumentou em 69% sua exposição à Amazon e saiu completamente da Meta. Já a família Rausing, dona da Tetra Pak e bilionária discreta, fez o contrário: reduziu posições em Amazon, Nvidia, Microsoft, Apple, Alphabet e Meta. Vendeu tudo que é Mag 7.

Quem está certo? Provavelmente nenhum dos dois. Ou os dois. O mercado é essa merda mesmo.

Dalio: 90% em ouro. Noventa porcento.

E aí vem Ray Dalio. O cara que vem gritando sobre bolha de IA e guerra de capitais há meses. O que ele fez? Jogou quase US$ 440 milhões no SPDR Gold Trust — o que representa 90% do portfólio do seu veículo Marino Management.

Noventa porcento. Em ouro.

Isso não é diversificação. Isso é uma declaração de guerra contra o sistema fiduciário. É um homem olhando pra tudo que o mercado está fazendo e dizendo: "Não confio em nada disso."

E como ele mesmo disse à CNBC: "As pessoas erram ao pensar se ouro vai subir ou descer. A pergunta certa é: qual percentual do meu portfólio deveria estar em ouro?"

O que isso significa pra você?

Olha, você não tem US$ 400 milhões pra colocar em ouro. Eu sei. Mas a lição aqui não é copiar as posições — porque quando você lê o 13F, o trade já aconteceu há meses.

A lição é outra: os maiores investidores do planeta discordam radicalmente entre si. Tepper aposta em IA via semicondutores. Dalio aposta contra tudo via ouro. Druckenmiller compra Amazon e energia limpa. A família Rausing vende Big Tech.

Se os bilionários não concordam, por que diabos você acha que o guru do YouTube tem a resposta certa?

Pense nisso antes de seguir o próximo "sinal quente" do Telegram.