Tem uma frase do velho Charlie Munger que eu nunca esqueço: "O dinheiro grande não está na compra ou na venda, mas na espera."
E quem está esperando sentado em bioMérieux (BMXXY) há alguns anos, está vendo a paciência ser recompensada de um jeito quase obsceno.
O Fato Nu e Cru
A bioMérieux soltou seus resultados de 2025 nesta quinta-feira e o número é daqueles que faz analista engasgar com o café: EUR 4 bilhões em receita, com crescimento orgânico de 6,2%.
Seis vírgula dois por cento.
Parece pouco? Só se você não souber que o mercado de diagnósticos como um todo está crescendo míseros 1%. A bioMérieux está crescendo seis vezes mais rápido que a média dos concorrentes. Isso não é performance. Isso é dominância.
O CEO Pierre Boulud, com aquele jeito francês contido que esconde uma bazuca nos bastidores, praticamente soletrou isso na call: "significantly outpacing a market that we're seeing way around 1%."
Traduzindo do corporativês para o português de boteco: enquanto a concorrência está no soro, eles estão no champagne.
Por Que Isso Importa (E Por Que Ninguém Liga)
Aqui mora o paradoxo que me deixa puto.
bioMérieux é uma das empresas mais sólidas do setor de saúde global. Líder em diagnósticos in vitro, microbiologia clínica, testes industriais. Aquele tipo de negócio que funciona na chuva, no sol e na recessão — porque hospital não para de rodar cultura de sangue quando o PIB cai, porra.
Mas tenta achar alguém no Brasil falando dessa empresa. Tenta. Você vai encontrar zero influencer financeiro fazendo Reels sobre BMXXY. Sabe por quê? Porque não dá like. Não é Nvidia. Não é Bitcoin. Não é a ação da moda.
E é exatamente por isso que quem entende de investimento deveria prestar atenção.
Lembra o que Ben Graham dizia? O mercado no curto prazo é uma máquina de votos. No longo prazo, é uma máquina de pesar. E a bioMérieux está pesando cada vez mais — com fundamentos reais, não com narrativa de PowerPoint.
O Que a Call Não Contou (Porque o Paywall Cortou)
Vou ser honesto com você: a transcrição da call no Seeking Alpha veio cortada. Paywall, ad-blocker, os de sempre. Então o que sabemos com certeza é o headline — EUR 4 bi, 6,2% orgânico — e o tom triunfante do Boulud.
O que não sabemos ainda com detalhe é: como ficaram as margens? O Guillaume Bouhours (CFO) deu guidance para 2026? Como está o FILMARRAY e a divisão de microbiologia industrial?
Esses são os detalhes que separam "empresa interessante" de "oportunidade de investimento concreta". E quem for atrás vai ter vantagem, porque — como eu disse — quase ninguém no mercado brasileiro está olhando pra isso.
O Contexto Que Os Gurus Ignoram
O setor de diagnósticos vive um momento esquizofrênico. Pós-COVID, todo mundo achava que as empresas de teste iam despencar. E de fato, muitas despencaram. A Quidel, a Hologic, várias viram receita evaporar quando o COVID testing secou.
Mas a bioMérieux nunca dependeu de COVID pra crescer. O core business deles é diagnóstico de rotina — infecções, sepse, controle de qualidade industrial, segurança alimentar. É o tipo de demanda que não desaparece com o fim de uma pandemia. É antifrágil, pra usar o termo do Taleb.
E quando uma empresa antifrágil cresce 6x a média do setor, o que você tem é um compounder silencioso — aquele tipo de ação que não aparece em lista de "top picks" mas que, daqui a 10 anos, deixou todo mundo comendo poeira.
A Pergunta Que Fica
Você prefere ficar correndo atrás da ação do momento — aquela que todo mundo no Twitter já sabe que "vai explodir" — ou quer ter a disciplina de olhar pra uma empresa que cresce consistentemente, num setor essencial, com vantagem competitiva real, e que praticamente ninguém no seu feed está mencionando?
Porque a história mostra que o dinheiro grande está onde a multidão não está olhando.
E agora, a bioMérieux está gritando, e a sala está vazia.