Existe um tipo de empresa que os grandes fundos ignoram, que os gurus de Instagram nunca mencionam e que os analistas de bancão tratam como nota de rodapé. São empresas pequenas demais pra mover o ponteiro de um fundo de US$ 50 bilhões, mas grandes o suficiente pra transformar o patrimônio de um investidor individual que tem paciência e estômago.
A LeMaitre Vascular (NASDAQ: LMAT) é exatamente isso.
O circo não convida quem entrega resultado quieto
Enquanto o mercado inteiro baba nos ovos da Nvidia, debate se a Medtronic (MDT) vai se reinventar ou se a Boston Scientific (BSX) vai comer o almoço da Stryker (SYK), a LeMaitre segue fazendo o que faz de melhor: dominar um nicho que ninguém quer disputar — dispositivos para cirurgia vascular periférica.
Resultados do Q4 e do ano fiscal de 2025? 16% de crescimento nas vendas ano contra ano. Expansão de margem em todas as frentes. O mercado respondeu com uma porrada de +20% no dia do balanço. E quem acompanha desde junho de 2025, quando a ação estava em US$ 81, viu o papel subir 35% em oito meses — mais que o dobro do S&P 500 no mesmo período.
Isso não é sorte. Isso é compounding funcionando como deveria.
Artegraft: o motor que ninguém viu ligando
Se você não conhece o Artegraft, preste atenção. É um enxerto biológico bovino usado em cirurgias de acesso vascular — produto que a LeMaitre adquiriu e está expandindo internacionalmente. Os números são absurdos:
- Vendas em 2025 dobraram em relação à projeção inicial da empresa.
- Projeção para 2026: US$ 10 milhões só desse produto.
- E a expansão internacional ainda está no começo.
Sabe o que isso me lembra? Aquele momento no Breaking Bad quando o Walter White percebe que o mercado dele não tem teto — só que aqui é legal, ético e salva vidas. A LeMaitre comprou um ativo subvalorizado, executou a integração e agora está colhendo os frutos num mercado onde a concorrência praticamente não existe.
Isso é o que Buffett chamaria de "moat" — um fosso competitivo real, não aquela baboseira que assessor de corretora repete feito papagaio.
Os números que importam (sem economês inútil)
Vamos ao que interessa:
Caixa líquido de US$ 190 milhões. Isso mesmo — a empresa não deve nada ao banco, tem quase duzentos milhões sobrando e ainda assim:
- Aumentou o dividendo em 25%.
- Autorizou recompra de US$ 100 milhões em ações.
Traduzindo pra linguagem humana: a empresa está tão saudável que consegue devolver dinheiro ao acionista por duas vias simultâneas enquanto investe em crescimento orgânico. Isso é raro. Isso é bonito. Isso é o tipo de alocação de capital que faria Benjamin Graham sorrir no túmulo.
A tese de investimento se sustenta em três pilares que não dependem de narrativa:
- Alavancagem operacional — cada dólar novo de receita gera mais lucro que o anterior, porque os custos fixos já estão pagos.
- Poder de precificação — quando você é o único fornecedor relevante de um dispositivo médico específico, você dita o preço. Simples assim.
- Expansão internacional — mercados na Europa e Ásia ainda estão subpenetrados. O Artegraft é só a ponta do iceberg.
O analista Joseph E. Jones, que cobre a empresa, elevou o preço-alvo para US$ 116 a US$ 130 até o final de 2026 e manteve recomendação de compra. Ele tem skin in the game — declarou posição comprada em LMAT.
O que isso significa pra você
A LeMaitre não vai aparecer na capa da Bloomberg. Não vai ser a ação que seu cunhado recomenda no churrasco. Não tem CEO influencer no Twitter fazendo dancinha.
E é justamente por isso que funciona.
Empresas assim recompensam quem ignora o barulho e foca no fundamento. São as verdadeiras compounders — aquelas que, daqui a dez anos, você olha o gráfico e pensa: "porra, por que eu não comprei mais?"
A pergunta que fica é: você tem paciência pra segurar uma empresa que cresce 15-20% ao ano sem fazer escândalo, ou precisa da adrenalina de uma meme stock pra sentir que está investindo?
Porque o mercado, no longo prazo, não paga pela emoção. Paga pela execução.