Certa vez, um sujeito recém-chegado a uma cidade pequena queria conhecer o pessoal de lá e foi até a pracinha, onde viu um velho que parecia ser morador antigo, ao lado de um pastor alemão com cara de mau. Ao se aproximar, o sujeito olhou para o pastor alemão, meio assustado, e perguntou, "O seu cachorro morde?" Ao que o velho morador respondeu: "Não". Então ele se abaixou para acariciar o cachorro, que o atacou, quase lhe arrancando o braço. Furioso, e com a manga do paletó em tiras, ele se virou para o velho e reclamou: "Pensei que tivesse dito que o seu cachorro não mordia". O velho respondeu: "Não é o meu cachorro."

Sempre fui um cara que pensa mais nas perguntas do que em respostas. Alguns professores me odiavam por isso, já outros me adoravam justamente por isso.

É engraçado eu perceber só hoje que, quando queremos ensinar algo, precisamos também pensar mais em perguntar do que responder.

Buffett certa vez aceitou colocar um aprendiz na Berkshire, para que o jovem aprendesse o máximo possível com ele. Para a decepção do esperançoso Daniel Grossman, a experiência não foi pra frente. Embora tivesse um lado extrovertido e acolhedor nas ruas, Buffett se tornava introvertido e fechado em seu quartel-general. Penso que Grossman não soube fazer as perguntas certas e Buffett sequer preocupou-se com isso.

Se eu pudesse fazer uma pergunta pro Buffett hoje, certamente não seria sobre como ele investe ou sobre como ele fez pra ser um bilionário. Talvez eu perguntaria...

Fala chefe! Beleza?! Tendo estudado todas as suas fases como investidor, desde o pequeno comprador de ativos desprezados e baratos, passando depois pelo abandono das amarras de Graham, até chegar às grandes aquisições acima de valores de mercado na confiança de se melhorar a gestão, e agora dada a minha situação presente como investidor, qual seria sua abordagem em meu lugar para crescer no mesmo ritmo que você cresceu, de acordo com meu prazo?

Tá... é uma pergunta longa e complicada. Porém, o colocaria na minha situação atual para estudar a melhor abordagem, e não na situação atual dele.

A moral da história citada no início da carta: É importante fazer a pergunta certa!

João Homem