Tem uma frase do Charlie Munger que eu nunca esqueço: "O dinheiro grande não está na compra ou na venda, mas na espera."
Quem comprou Rolls-Royce há dois anos e simplesmente sentou na mão acabou de ver a ação dobrar de valor. E na quinta-feira, a empresa avisou que a festa tá longe de acabar.
O que aconteceu, sem economês
A Rolls-Royce — e aqui estamos falando da fabricante de motores aeronáuticos, não do carro de playboy — soltou seus resultados e mandou uma mensagem clara pro mercado: nós estamos transformando essa porra e os números provam.
Lucro operacional esperado pra 2026: entre £4 bilhões e £4,2 bilhões. Os analistas do FactSet esperavam algo em torno de £3,65 bilhões no ponto médio. Ou seja, a empresa atropelou a expectativa como um Trent XWB na decolagem.
E o fluxo de caixa livre? Entre £3,6 bilhões e £3,8 bilhões. Também acima do consenso.
Mas o verdadeiro soco na mesa veio depois: programa de recompra de ações de até £9 bilhões (cerca de US$ 12 bilhões), com £2,5 bilhões sendo executados só em 2026. Quando uma empresa desse porte decide devolver dinheiro ao acionista nessa escala, ela tá dizendo uma coisa: "Nosso balanço é uma fortaleza e a gente sabe o que vale."
A ação subiu 6,4% logo na abertura e caminhou pra máxima histórica.
A transformação que ninguém do TikTok te contou
Lembra quando todo mundo queria falar de short squeeze e cripto de cachorro? Enquanto isso, o CEO Tufan Erginbilgic estava silenciosamente quebrando tudo dentro da Rolls-Royce.
O cara chegou em 2023 e disse sem meias palavras que a empresa era "uma plataforma queimando". Bonito, né? O tipo de honestidade brutal que a maioria dos CEOs corporativos — esses bonecos de PowerPoint — jamais teria coragem de verbalizar.
O resultado? Em 2025, o lucro operacional saltou mais de 40%, chegando a £3,46 bilhões contra estimativas de £3,32 bilhões. A receita cresceu 12%, batendo £20,1 bilhões. E a empresa agora diz que vai atingir suas metas de médio prazo dois anos antes do previsto.
Dois. Anos. Antes.
Isso é skin in the game. Isso é execução.
De onde vem o dinheiro?
Três motores (sem trocadilho... bom, com trocadilho):
1. Power Systems — O negócio de geração de energia cresceu 19% organicamente. Por quê? Porque o mundo tá construindo data centers como se não houvesse amanhã, e adivinha quem fornece os sistemas de geração de energia pra essas fábricas de inteligência artificial? Exatamente.
2. Civil Aerospace — As engines que vão nos aviões da Boeing e Airbus cresceram 15%. Com a demanda por viagens aéreas ainda em recuperação pós-pandemia e uma cadeia de suprimentos apertada, quem fabrica motor tá sentado em ouro.
3. Defesa — Crescimento de 8%. Com o mundo no estado geopolítico que está — Rússia, China, Oriente Médio — orçamentos militares só vão numa direção: pra cima.
A analista Chloe Lemarie do Jefferies chamou o release de "alta qualidade". Traduzindo do analista-ês: "não tem maquiagem aqui, os números são reais."
E as metas pra 2028?
A empresa atualizou o guidance de médio prazo: lucro operacional entre £4,9 bilhões e £5,2 bilhões, margem operacional de 18% a 20%, e fluxo de caixa livre de até £5,3 bilhões.
Pra contextualizar: há três anos essa empresa era vista como quase um caso perdido pós-COVID. Hoje ela imprime dinheiro como a Casa da Moeda britânica.
A lição que o mercado insiste em esquecer
O Buffett já cansou de repetir: compre empresas maravilhosas por um preço justo e deixe o tempo trabalhar. A Rolls-Royce não é uma empresa sexy. Não tem app, não tem influencer, não tem token. Ela faz motores de avião e turbinas de energia. E tá destruindo o mercado.
Enquanto o varejo fica caçando a próxima Nvidia ou o próximo short squeeze milagroso, os caras que compraram uma empresa industrial com um CEO honesto e um plano de reestruturação sério estão sorrindo pro extrato da corretora.
A pergunta que fica é simples: você tem paciência e estômago pra comprar a empresa certa na hora certa e não fazer nada por dois anos? Ou você prefere continuar girando patrimônio atrás da emoção?
Porque o mercado não paga emoção. Paga disciplina.