title: Wedbush pisa no freio com Best Buy antes do balanço — e o mercado finge surpresa date: '2026-02-27' author: Marlene Fibonacci authorSlug: marlene-fibonacci category: investimentos tags:
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- Wall Street image: "https://images.unsplash.com/photo-1718778449026-fc05939d7650?w=1200&q=80&fit=crop" imageCaption: "Financial results stock market. — Photo by Jakub Żerdzicki on Unsplash" representation of home buying process — Photo by Jakub Żerdzicki on Unsplash excerpt: '--- Olha, eu adoro quando o circo de Wall Street resolve soltar "nota de cautela" sobre uma empresa dias antes do balanço trimestral. É tipo aquele amigo que te avisa pra não comer o sushi duvidoso —...' contentType: noticia featured: false lang: pt subtitle: Quando até analista de Wall Street fica cauteloso, é hora de prestar atenção no que não estão dizendo
Olha, eu adoro quando o circo de Wall Street resolve soltar "nota de cautela" sobre uma empresa dias antes do balanço trimestral. É tipo aquele amigo que te avisa pra não comer o sushi duvidoso — depois que você já pediu.
A Wedbush, uma das casas de research que vive naquela zona cinzenta entre "relevante" e "quem?", resolveu apertar o cinto com a Best Buy (BBY) antes dos resultados do quarto trimestre. E o que sobrou do artigo original — porque o Yahoo Finance me entregou basicamente uma página de política de cookies em vez de conteúdo jornalístico (obrigado, internet moderna) — é o suficiente pra gente ter uma conversa de gente grande.
O que sabemos (e o que o mercado não quer admitir)
A Best Buy não é qualquer varejista. É a varejista de eletrônicos que sobreviveu à carnificina da Amazon quando Circuit City, CompUSA e tantas outras viraram pó. Sobreviveu porque fez o dever de casa: cortou custos, investiu em experiência de loja, criou o programa de membership. Mérito.
Mas sobreviver e prosperar são verbos diferentes, porra.
O varejo de eletrônicos nos EUA está numa sinuca de bico. O ciclo de upgrade de smartphones desacelerou. O boom de home office que turbinou vendas de laptops e monitores na pandemia já era. E o consumidor americano — aquele que todo mundo jura que é "resiliente" — está com o cartão de crédito no talo e a poupança pandêmica no zero.
Quando a Wedbush solta um "estamos cautelosos", leia nas entrelinhas: eles acham que os números podem vir feios e não querem estar do lado errado da mesa quando a música parar.
O jogo dos analistas
Aqui vai uma aula rápida de como funciona o teatro de Wall Street.
Analistas de sell-side — esses caras da Wedbush, Goldman, Morgan Stanley — vivem num conflito de interesse permanente. Eles precisam manter relacionamento com as empresas que cobrem (porque querem acesso a management, querem underwriting fees, querem o jogo funcionando). Então, quando um deles resolve ficar publicamente cauteloso, é porque a coisa tá feia o suficiente pra ele arriscar queimar essa ponte.
Nassim Taleb diria: "Presta atenção no que o cara faz, não no que ele diz." Se a Wedbush tá falando em cautela, a pergunta é: o que os fundos que eles assessoram já estão fazendo com as posições em BBY?
Benjamin Graham, o avô do value investing, tinha uma frase que cabe aqui como luva: o mercado no curto prazo é uma máquina de votação; no longo prazo, uma balança. Pra Best Buy, a votação dos últimos meses não tem sido generosa. A ação andou de lado enquanto o Nasdaq surfava a onda da IA generativa.
O elefante na sala: IA e o futuro do varejo físico
Sabe o que ninguém tá discutindo direito? O impacto real da inteligência artificial no modelo de negócio de uma Best Buy.
Se a IA vai mudar como compramos eletrônicos — e vai — a Best Buy precisa se reinventar mais uma vez. Não basta ter loja bonita e Geek Squad. O consumidor de 2025 pesquisa no ChatGPT antes de ir ao Google, compara preços com agentes de IA e cada vez menos precisa de um vendedor explicando a diferença entre OLED e QLED.
Isso não significa que a Best Buy vai morrer. Significa que o modelo que salvou ela da Amazon em 2015 talvez não seja o modelo que salva ela em 2027.
E aí, o que fazer?
Se você tem BBY em carteira, a cautela da Wedbush não é motivo pra pânico. Mas é motivo pra honestidade.
Você comprou por quê? Pelo dividend yield gordinho? Pelo valuation aparentemente barato? Pela tese de que "todo mundo precisa de eletrônico"?
Revise a tese. Sem ego. Sem viés de confirmação.
Se você não tem BBY e tá pensando em comprar na possível queda pós-balanço, cuidado com a armadilha clássica do value trap — aquele papel que parece barato mas fica barato por um bom motivo.
A Wedbush pisou no freio. A pergunta que fica é: você vai continuar no piloto automático ou vai abrir o capô e olhar o motor antes de acelerar?
Porque no mercado, como na vida, cautela de terceiro não substitui diligência própria.